Tuesday, May 20, 2008

"A sanidade mental é uma imperfeição"




"Comecei a comer. Era terrível. Sentia como se os estivesse comendo, comendo as coisas em que acreditavam, aquilo que eles eram."

"Que coisa terrível! Não importava que fizessem aquilo em segredo! E pensar que todo mundo fazia isso! Os professores, o diretor, todo mundo! Era algo realmente estúpido. Então pensei em fazê-lo com Lila Jane, e a estupidez que era evidente já não me pareceu tão evidente assim."

"Caminhando ao lado das outras pessoas, eu não sabia o que havia sido mais excitante: a corrida de aviões, o pára-quedas que não tinha aberto ou a xoxota."

"A consciência de que me faltava coragem para fazer o que era necessário fez com que eu me sentisse péssimo."

"Pensei em me masturbar para voltar à realidade."

"Não valia a pena confiar em nenhum outro ser humano. O que quer que fosse preciso para estabelecer essa confiança, não estava presente na humanidade."

"Um homem precisava de alguém. Não tinha ninguém por perto, assim você precisava inventar uma pessoa, criar um homem do modo como ele deveria ser. Isso não era faz-de-conta ou enganação. A outra alternativa sim é que era faz-de-conta e enganação: viver sua vida sem um homem desses por perto."

"Isso fazia com que você percebesse que pensamentos e palavras podiam ser fascinantes, mesmo que inúteis."

"Eu não tinha interesses. Eu não tinha interesse por nada. Não fazia a mínima idéia de como iria escapar. Os outros, ao menos, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Freqüentemente me sentia inferior. Queria apenas encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. Mas não havia lugar para ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho. Sentia que o ideal era poder dormir por uns cinco anos, mas isso eles não permitiriam."

"Todos tinham que agir dentro dos conformes, adaptar-se a um molde."

" - Você não quer ser feliz, Henry? - perguntou minha mãe. - Você nunca sorri. Sorria e seja feliz."

"Pegue um homem que trabalha de graça e você terá um sujeito que só quer vagabundear por aí."

"- Acho que o único momento em que as pessoas pensam em injustiça é quando acontece com elas."

"Que tempos penosos foram aqueles anos - ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade."

"Morrer na guerra nunca havia evitado que novas guerras acontecessem."

"Eu tinha decidido que o campus era apenas um lugar para me esconder. Havia alguns malucos naquele campus que ficavam lá para sempre. O universo da faculdade era brando, um faz-de-conta. Jamais lhe diziam o que esperar do mundo real lá fora. Apenas entupiam você com teorias e nunca o alertavam sobre a infinita dureza dos calçamentos. Uma educação universitária poderia destruir um indivíduo para sempre. Os livros podiam fazer de você um frouxo. Quando você os deixa de lado e vai ver como realmente são as coisas do lado de fora, então é preciso ter o conhecimento que não está naquelas páginas."

"A luz do luar entrou trazendo consigo os sons da cidade: vitrolas, automóveis, palavrões, latidos, rádios... Estávamos todos juntos nisso. Todos juntos num grande vaso cheio de merda. Não havia escapatória. Todos desceríamos juntos com a descarga."


Misto-quente, Charles Bukowski. Tradução de Pedro Gonzaga.


E olha que o livro inteiro poderia ser parte de uma grande citação... e tem dito (ele).


p.s.: brigada, namorado :)

Tuesday, April 22, 2008

Ordinária Caminhada Rumo ao Que Ainda Há a Descobrir

Acorda. Pensa. Preguiça. Cochila. Acorda de novo, é um novo dia!. Entristece, mau humor! Droga... café-da-manhã. - Tchau, vó, to indo trabalhar/estudar. - Volta pro almoço?

... - Mas já disse três vezes, NÃO! Infla, raiva. tenho que explicar tudo um monte de vezes?

Arrepende-se. (Mal começou o dia e eu desse jeito).

Ônibus lotado, pessoas mal-educadas, trânsito lento... ok, mais um dia. Pega o iPod: música, música, música!

Como que por um encanto, as cores voltam e a menina grande enlaça os bons sentimentos, mesmo que por pouco tempo... (é pouquinho, mas é meu, bléééé!)

Trabalha/estuda, tudo é tão interessante! Não me move o suficiente, mas é encantador!


Teimosa que só, inerte, egoísta, ingênua oportunista... contraditora por excelência.


Mas sabe?


Ela gosta mais dela agora... e eu também.

O menino e o monstro

E lá estava o monstro: gigante, de olhos vermelhos, dentes grandes e amarelos... medo. Outros sentimentos existiam nesse momento, mas o menino tremia... um medo colossal o dominava.
- Ele é tão grande e assustador! Sou tão pequenino, indefeso... quem sabe até um bobo por insistir em tentar derrotar quem nasceu pra vencer.

Olhos nos olhos e o tempo subjetivo já durava milênios, apesar de terem-se passado segundos. Até as cores se compadeciam, de tão opacas...
- Eu sei que perguntar sobre o sentido da vida é coisa que nem mamãe consegue responder, mas até que cairia bem nessa hora!

Ele começa a se aproximar da terrível criatura, sentindo que seu fim estava próximo, quando uma súbita digressão o atordoa:

(Mamãe... Papai... Bian. Meu povo. Se sua vida faz sentido matando inocentes, a minha assim o faz protegendo-os de uma criatura como você!)

O espírito do guerreiro tomou conta do menino da aldeia dos sonhos e assim ele correu para cima do monstro

Não há monstro poderoso o suficiente que derrote um ideal bordado com corações.

Tuesday, December 25, 2007

Do desespero à reflexão


Que eu me lembre (e a minha memória não é tão confiável, mas continuarei), nunca o dia 25 de dezembro foi tão desagradável e ao mesmo tempo digno de reflexão... a minha total incapacidade de compreensão da lógica do mundo e a minha opcional desistência de assumir qualquer verdade como absoluta simplesmente me empurram pra um abismo sem saída às vezes...

Sinto como se estivesse num espaço fechado com uma cartola mágica a retirar coisas... dentre as boas e ruins, um dia sufocarei por não haver mais espaço... pro ar.

Por isso que eu adoro (e muito!) dia 31 e 1o, o sentimento de janelas e portas se abrindo diante dos olhos é quase sentido pelos incensos acendidos pela minha mãe.

Pois é, to crescendo...

Friday, December 14, 2007

Eu não sei escrever poemas... apague a luz, por favor

O espelho do banheiro reflete a vitrine da loja de sempre
Um longo suspiro, não importa se é o primeiro, último ou outro qualquer
Dor de cabeça, alívio ao se fazer automóvel
A buzina não me irrita tanto quanto o muxoxo
Quietos! Deixem o silêncio do trânsito gesticular o caos
E o filme ainda é preto e branco
A linda menina de cachinhos castanho-claro agora só sabe pedir:
"Mamãe, quero doce, a boneca da barbie, um patinete, o cabelo liso da Carlinha, sua atenção mamãe, mamãe! ... Aprendi a ler, mamãe"
Tá chegando o Natal e as luzes dos prédios incitam o espírito do bom velhinho, que é vendido nas lojas de 1,99 e também nos melhores shoppings do Rio... democrático, não?
A tranqüilidade largou meus dedos e a angústia beijou meus lábios até meu sangue gotejar no alagado chão asfaltado
Vendi minha alma pra criança que fui... busco abrigo no inconstante
Serei eu vencida pela passividade?


O reflexo da televisão evidencia a desordem dentro do seu quarto
Sanidade, pra quê?

I won't do it, will you?

Não estou cansada de chorar pelo tempo perdido
Não estou cansada de imaginar a solidão e perceber a probabilidade nítida, bem desenhada, movimentando-se sem consentimento
Não estou cansada de reclamar por não ser ignorante, da benção dos ignorantes, do id, ego e supergo
Não estou cansada de tentar viver o passado com os olhos do presente
Não me canso, yo te lo juro

Eu me canso sim da hipocrisia, da aridez estampada na cara
Da necessidade sobrepujar o prazer

I don't take my dreams for granted... but reality seems so suffocating sometimes

Wednesday, September 19, 2007

A coleira

Atada a aquele pedaço de couro e corrente
presa de corpo de alma
retida da liberdade
insanidade estimulada?
trabalho sob pressão... talvez não
passaram-se os anos 70
se os efeitos do neoliberalismo continuarem, procure um extremista!
e ELE a leva, bem junta a ELE
- Acabe com seus sonhos, ELE diz
- Não existe sonho sem a realidade de se estar vivo para sonhá-los
Ela só caminha... a reflectiva dor supera o contra-argumento

O mundo está à venda, mas quantos podem comprá-lo?
A força do beija-flor se esvai e enquanto cai imagina as cores tomando o coração preto e branco... onde está Rei Arthur?

- Heróis não existem, simulacro existencial, caminhe em direção à luz

Diante do consentimento inconsciente eu me afirmo: penso, logo insisto! Faço parte de um todo dialetal, não me venha com pessimismos démodé

fênix... que piada.

Sunday, September 02, 2007

Pedaço de mim

"O filho é a extensão do corpo da mãe"

Ouvi isso na minha aula de Psicologia da Educação... e ainda existem pessoas a bradar que Licenciatura é inútil. Sério, onde? :P

Já parou pra pensar que a instância do nascimento é, na verdade, uma mutilação mãe-filho que os expõe a um mundo caótico, ausente da possível harmonia existente dentro do corpo materno? Curioso...

"Matar os pais para perceber a mortalidade deles"; "A morte simbólica do herói"

Ah, os pensamentos socialmente cruéis costumam ser bem interessantes... imagina a necessidade de uma morte simbólica de seus progenitores para que a idéia de continuidade da vida se sobrepusesse enfim.

O corte é externo, a separação se faz sem o pedido do filho, talvez sem a sua consciência disso.

Incrível como tudo pode ser levado ao status de complexo, basta uma identificação.

E as minhas aulas de Psico só começaram...

Monday, June 25, 2007

These scars will never mend...




Fazer do sofrimento aprendizado, a dor da luta que se transforma em esperança
Nada melhor do que fazer das cicatrizes símbolos, a fim de identificação e fortalecimento
7 pecados, 7 céus, 7 dias da semana... 7 tatuagens: ying-yang, dreamcatcher, infinito, natura (natureza), mater (mãe), hexagrama e cruz da paixão.

Agora só faltam o tatuador e o dinheiro :)